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Hoje peguei no carro do pai. No rádio tinha um cd que me apressei a ouvir, tocava uma das baladas brasileiras mais lindas de sempre, derreti-me... Soube tão bem entrar no seu mundo, sentir-me a invadir o seu espaço, sentir o romantismo de sempre, o sentimentalecas que papi sempre foi, mergulhar assim uns momentos e lembrar-me de como sempre foi e é o pai. Os desaforos que sempre teve com a mãe, os ciumes quase doentes que tem por ela. Desde que a vi pela primeira vez, disse-me uma noite. Enquanto fumávamos o cigarro da praxe, acendido pela lareira e os nossos olhos não descolavam do lume, como sempre, o pai contou que amava tanto a mãe que até doía.
A assiduidade das brigas, das discussões, dos devaneios, estendem a cadeira ao amor que, depois de sentado a assistir, se levanta e aplaude ferverosamente. Quero uma história assim, igual, sem tirar nem pôr...



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