I come clean

Okay, Margarida, eu confesso: talvez necessite de alguma estabilidade emocional, talvez mimo e carinho dos que vão passando, trocos para beber gin e comprar botas já não sejam ingredientes suficientes e me estejam de alguma forma a faltar os outros, igualmente saudáveis, para equilibrar isto tudo que para aqui vai.

A verdade é que a anorexia sentimental/amorosa/wooks/, a que me entreguei há um ano está já a provocar danos com os quais não consigo mais lidar, por mais que mascare, que tente disfarçar… e isto desde que senti a tua compaixão… Fez um raio de eco nesta cabeça oca… Fecho os olhos e estás lá tu, na bomba de combustível a lamentar por eu não ter ainda filhos nem ser casada com vinte e alguns anos; vou dormir e oiço-te dizer que amanha quem sabe será o dia, oh porra… Agora sinto-me desnutrida, fisicamente carente, n e c e s s i t a d a, parece que agora emocionalmente bulimica.

Quero sexo e amor e sexo com amor, quero sentir que todos os dias faço parte da vida de alguém, que amanha vale o mesmo que hoje, em que partilhei algo tão intimo, bolas, que, ainda que durma sozinha, posso imaginar que está aqui ao meu lado e que não estou a pressionar, porque do outro lado se faz o mesmo, quero dar um passo por mim e por ele também, aproximar-me a cada um dado e não sentir que exercito numa ridícula passadeira de ginásio em que por mais que ande, marche ou corra não saio da merda do mesmo sitio.

Quero tudo isto e mais algumas coisas, entre elas que também vivas a maior parte das melhores coisas que de uma relação se tira, que não seja bluff o que transmitiste verbalmente, porque episódios anteriores me deixaram a saber que por vezes há quem seja demasiado orgulhoso para admitir a infelicidade... Mas isso já são trocos, longas metragens de curtas passagens que produzo assim, à papseco, como se diz por cá.
Acredito, ou faço por acreditar, que no teu ninho há harmonia e entrega de ambas as partes, que se entendem, amam e partilham de tal forma que os vossos filhos adormecem e acordam como os passarinhos, a chilrear docemente (“…piu piu piu”). Se assim for, sou bem capaz de aceitar o teu ombro para chorar na próxima vez e ate sou menina para assinar contrato de exclusividade na bomba onde prestas labor.

1 comentário:

  1. lindo... a falta de caracter e compaixão é o que nos rodeia mais no nosso dia a dia!!

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