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Lembro-me das cartas que em miúda escrevia. à mãe, ao pai e ao mano que ainda nem ler sabia. recordo essas tal como as que, movida pela outra espécie de amor, escrevinhava durante a noite. que amor tão puro, inocente e servil dedicava. o que chorava angustiada pelo rapaz na altura...e como odiava ouvir dizer que ainda era nova, que não levasse a sério o que sentia pois com o tempo passaria e rir.me.ia disso. realmente tudo passa, o sofrimento atenua, o esquecimento encarrega-se de uma parte e a sobriedade acontece. mas, à medida que crescemos, cresce também a dificuldade em deixar, em largar memórias e sentimentos, pessoas e momentos. e eu gosto tanto disso... não vivo «demasiado agarrada ao passado», como me acusa o Matias, não acho que viva, admito que sobrevivo intrinsecamente ligada ao passado. acho que vivemos todos, não? não me convence essa do "nascer de novo" no sentido mais literal, naquele que pressupõe o delete de tudo quanto foi existência...em que se apaga o mau e bom e se vive como se nunca por cá se tivesse andado.

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